Voltou a falar-se de convergência – 2

Li e ouvi afirmado, com algum despudor, que se teria verificado convergência económica com a União Europeia. 
É como se – para usar informação recorrente nestes dias… numa bem diferente vertente social… – se noticiasse um momento de apaziguamento num casal com um quadro de violência doméstica habitual e tolerada, ou não denunciada. 
Acresce que essa jubilosa informação se segue ao período de mais evidente  agressão de divergência. Que vem da origem da relação no que se refere à soberania sobre os recursos nacionais e à qualidade do aproveitamento desses recursos – como se verá oportunamente -, mas quantitativamente claramente agravada pela introdução do euro (e sua preparação… ou namoro), e também por uma eclosão violenta e inevitável da crise sempre latente.

1. veja-se, primeiro, a evolução de 1996 a 2010 (como foi estimada em anteriores  trabalhos, com dados disponíveis)

Igualando a 100 o indicador “comunitário”, e vendo qual a percentagem do PIB português, o primeiro gráfico mostra uma aproximação até 1999, por maior ser o “crescimento” de Portugal, e uma inversão clara dessa tendência, o que faz com que, depois de 2005, a percentagem do PIB baixe para inferior aos 77% do início do período em consideração.
O que será naturalmente mais visível no gráfico seguinte, que mostra como depois de 1999 só em 2009 houve – excepcionalmente – convergência, por o indicador da evolução de Portugal desse ano ser superior ao “comunitário”… ou melhor (?!) não ser tão pior. Assim, pode-se resumir os gráficos dizendo que houve quatro anos de convergência mais um “de excepção” e difícil definição, dois de igual percentagem de crescimento e oito de divergência.
Separando o período em consideração – 1996-2010 – em três períodos, um pré e dois pós-euro, ainda fica mais claro

A qualidade, a estrutura do tal PIB, ver-se-á mais tarde…



Este artigo encontra-se em: anónimo séc. xxi http://bit.ly/2Sv9He0

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