Voltou a falar-se de convergência – 1

Convergência foi um dos argumentos usados e abusados pelos promotores da moeda única para a União Europeia “em construção”, depois da substituição do Tratado de Roma (de 1956, a 6-República Federal da Alemanha, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo e, mais tarde a 9-6 mais Dinamarca, Irlanda e Reino Unido ) pelo Tratado de Maastrich (de 1992, então já a 12- com mais a Grécia, Espanha e Portugal e a absorção da ex-República Democrática da Alemanha pela RFA).
Enquanto prosseguia o alargamento (para 15, com Áustria, Finlândia e Suécia), preparavam-se em conferências inter-governamentais (CIG) – cujas decisões tinham, então, necessidade de ratificação democrática, ou seja, do povo ou seus representantes directos – a União Económica e Monetária (UEM) e a União Política (UP).
A UEM, com variados tropeços pelo caminho, concretizar-se-ia com a moeda única e o Banco Central Europeu e, na sua promoção, muito se acenava com a aproximação dos níveis de vida, a diminuição das assimetrias e desigualdades, através de uma convergência das economias nacionais.
Por dever de ofício, há muitos anos procuro acompanhar, com as medidas que existem (em Roma, que remédio se não ser romano…), a evolução do chamado PIB de Portugal.
Recorrendo a vários trabalhos dispersos (publicados alguns em diversos locais), vou usar gráficos que me parecem esclarecedores:
1. Para começar, uma vista geral, de antes de Roma… (do Tratado dos tratantes…) até chegar a hora da “europa connosco” (ou de nós na “europa”) e a dita convergência

onde, sumariamente, se podem observar a quase estagnação no início do período, alguma evolução com o 2º Plano de Fomento e o Plano Intercalar (1965/7), a guerra colonial e a Nova Política Industrial, que se arrasta até ao 1974 (25deAbril), quando a economia portuguesa começa a descolar e cresce, ao mesmo tempo que se opta pela financeirização e o afunilamento.
2. Com a entrada de Portugal para o “clube dos 9”, com a Espanha e depois da Grécia (I com outros parceiros, Irlanda e/ou Itália) forma-se a orla periférica, incompleta pois falta ser agregado o lado Leste da pretendida União Europeia

Para melhor adaptar os “dados em carteira” a este trabalho (que bastante trabalho me está a dar – e, confesso, também algum prazer…), repeti, em dois gráficos pós-adesão, o quinquénio de 1996-2000, por ser aquele em que o euro foi adoptado. Por estes dois gráficos, pode ver-se que Portugal viu evoluir o seu PIB apreciável entre 1986 e 2000, integrando a sua economia na divisão internacional “europeia” do trabalho (abdicando da sua soberania e de seus recursos, e financeirizando-se, nas vertentes pública e privada… mas isso é para outra abordagem), para, com a entrada da moeda única – e nas condições em que ela foi criada – ver abrandar e até cair significativamente o seu indicador PIB em 2009, no início da chamada crise.

E A CONVERGÊNCIA?
Esta, a avaliação da convergência/divergência apenas se pode ver em confronto com a evolução de outras economias. Se esta revisita a dados conhecidos (por mim, e por mim trabalhados) foi de certo modo estimulada por um mail recebido recentemente, com pequeno artigo em que se agrupavam os países em EA8 e “periféricos” (onde estava Portugal), vou fazer, em próximo post, a  comparação em gráficos, da evolução dos PIBs “comunitário” (isto é, da União Europeia) e a do PIB de Portugal. 
É verdade que PIBs há muitos e previsões ainda mais que chapéus, mas não quero mais que detectar indícios, tendências… e responsabilidades.

Tenho a intenção de voltar amanhã 

Este artigo encontra-se em: anónimo séc. xxi http://bit.ly/2I860WZ

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