Nos 20 anos do EURO

Fake News Precoces . Agostinho Lopes
Nos 20 anos do Euro, cumpridos no dia 1 de Janeiro, três breves notas: o que se prometia e o que se cumpriu, a avaliação dos resultados e, uma questão central, foi um erro ou uma estratégia política deliberada.
A 1ª questão a que os promotores e defensores do Euro hoje devem responder, e não o fazem, é a razão por que nenhum dos grandes objectivos anunciados com a criação da moeda única, se concretizou! Porque é que a publicidade do Argumentário, a favor do euro, da Comissão Europeia falhou. Recessão e estagnação em vez de crescimento. Divergência entre os Estados membros em vez da convergência. Instabilidade económica e financeira versus estabilidade. Porquê o grande argumento hoje contra a saída do euro, são os problemas da saída e não as anunciadas vantagens do euro? A propaganda do euro foi uma monstruosa e precoce fake new!
Diz João Ferreira do Amaral (JFA) «Nada do que foi prometido com a criação da moeda única foi cumprido» (Sol, 29DEZ18).  
A 2ª questão é o balanço que se pode fazer destes anos, para Portugal e os restantes membros da Zona Euro, e mesmo para o conjunto da UE. Para Portugal o balanço é fácil. Só dogmáticos do neoliberalismo, propagandistas empedernidos da política de direita ou cegos à realidade económica do país durante estes 20 anos, podem falar em sucesso! E isto não foi nem é apenas um problema português, contrariamente aos que defendem o euro, com a ideia de que as coisas cá correram mal porque tivemos Sócrates, Durão, Santana e etc.. Estes agravaram a situação no quadro de constrangimentos e limitações decorrentes da União Económica e Monetária (UEM) e de Maastricht. Não. As coisas correram mal para os países do Sul, mesmo para economias desenvolvidas como a italiana. Mesmo a França foi atingida. Só por absoluta cegueira ideológica ou ensimesmamento neoliberal, ou pertinácia federalista, e sobretudo, por absoluto desprezo pela soberania e direitos dos povos, alguém pode dizer que as coisas correram bem. E o que se anuncia para o futuro não é nada melhor.
JFA sintetiza: «A criação da moeda única é um gigantesco fracasso» e prevê os próximos 20 anos: «Um pesadelo»!
A 3ª reflexão é se o projecto da UEM foi um erro, um engano dos seus promotores e ideólogos, ou uma estratégia política ao serviço de interesses alheios aos dos povos e estados da união europeia. JFA fala num «disparate pegado», «um erro tremendo». Ora, quem a fez sabia o que ia acontecer. Era da história económica das uniões monetárias. Era da experiência histórica dos Estados federados. Houve insuspeitos (de comunismo, de antieuropeísmo…) académicos a anunciarem o que ia acontecer. Em Portugal, a voz exemplar de JFA! Há uma intencionalidade no projecto que não parece admitir ter sido por «erro», por défice de conhecimento, ou pior, por disparate, o seu avanço. Porque há os Estados que ganham forte e feio, como a Alemanha. Ajudou-a a digerir a anexação da RDA. Balanças comerciais e de capitais largamente excedentárias. A divergência agravada das competitividades, a evolução diferenciada da procura interna, da poupança, do investimento, do PIB. O Tarjet 2 exibe com fidelidade os desequilíbrios económicos e financeiros, mostra os ganhadores e os perdedores. Mas deu ao grande capital europeu, inclusive às suas multinacionais e ao seu capital financeiro, enormes vantagens económicas. Mesmo em Portugal não é a SONAE de Belmiro ou a Jerónimo Martins de Soares dos Santos que se queixam… A Mesa Redonda dos Industriais Europeus (ERT) não criou por acaso, em 1987, a sua Associação para a União Monetária Europeia (AMUE), onde pontificavam os maiores magnatas da indústria e banca da Europa. Mas os trabalhadores europeus pagaram e pagam um preço elevado em salários e desemprego.
De facto, as fake news não são uma invenção do tempo da net e das redes sociais….  

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