PCP questiona Governo sobre degradação do serviço ferroviário intercidades Évora-Lisboa

O PCP questionou o Governo sobre a degradação do serviço ferroviário intercidades (IC) Évora-Lisboa.

Em causa está a substituição das habituais composições do IC por outras utilizadas nos serviços Regional e Inter-Regional.

As composições habitualmente utilizadas no serviço IC Évora-Lisboa são constituídas por uma locomotiva eléctrica Siemens (fabricada em 1993), da série “CP 5600”, e três carruagens Sorefame, por automotoras eléctricas designadas Unidades Triplas Eléctricas (UTE), série CP 2240.

Nessas composições, a locomotiva atinge os 220 km/h mas as carruagens estão limitadas a 200 km/h. No troço compreendido entre Bombel e Évora, renovado integralmente em 2011, os IC atingem os 200 km/h. A ligação Évora-Oriente faz-se em 1h30min e os utilizadores frequentes daquela ligação classificam o serviço como bom.

Com as composições actuais, as automotoras estão limitadas a velocidades de 120 km/h, tendo um “lay-out” interior pouco apropriado para viagens de longo curso que não assegura o conforto correspondente ao serviço IC. A baixa velocidade de ponta das UTE origina atrasos muito significativos face aos horários previstos, prejudicando os passageiros de forma que torna impraticável a utilização do serviço ferroviário.

Os passageiros continuam a suportar o custo do serviço IC mas a CP não tem ressarcido os passageiros pelos transtornos causados e pela perda de qualidade do serviço, não obstante terem sido apresentadas algumas reclamações.

O PCP sabe que na origem destes problemas estão opções de sucessivos governos que ao longo de décadas cortaram no investimento público em nome do cumprimento das metas do défice e de outras imposições feitas pela União Europeia ou pelos grupos económicos que visavam a degradação do serviço prestado pela CP como forma de alcançarem os seus objetivos de privatização da empresa.

Esses cortes no investimento público, feitos também por opção do actual Governo PS, atingiram as condições de manutenção do material circulante e, ao fim de anos de cortes acumulados, as consequências dessas opções geram agora uma situação verdadeiramente insustentável para a prestação do serviço de transporte público ferroviário.

O PCP questionou por isso o Governo sobre:

1- Como justifica o Governo a situação de degradação do serviço ferroviário Intecidades entre Évora e Lisboa?

2- Como justifica o Governo a opção de substituição das composições que efectuam aquele serviço?

3- Que medidas vai o Governo tomar para repor as condições correspondentes ao serviço Intercidades na ligação entre Évora e Lisboa?

4- Que medidas adotou ou vai o Governo adotar para compensar os passageiros que utilizam o serviço Intercidades entre Évora e Lisboa sem as condições correspondentes?

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