Debate “Artistas pela Paz” fez pensar no papel da arte na procura de um mundo melhor

A 2.ª Bienal Internacional de Arte Gaia 2017, recebeu o primeiro debate ligado às causas da Bienal e o tema não podia ser mais sugestivo: os “Artistas Pela Paz”, que também dá nome a uma das exposições da iniciativa cultural.
Moderado por Ilda Figueiredo, presidente da Direção Nacional do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) e uma das curadoras da exposição (juntamente com a artista plástica Mirene), o debate procurou responder à questão do papel da arte na procura da paz.

Na mesa do debate estiveram, além de Ilda Figueiredo, os artistas Evelina Oliveira e Rui Ferro e os jornalistas Alfredo Maia e Vítor Pinto Basto e na intervenção de todos eles partiu-se do tema da guerra para clamar a paz, na procura de um mundo melhor.

Ilda Figueiredo lembrou que “há 72 anos foram usadas, pela única vez contra pessoas, armas nucleares. Desde aí, isso tem sido evitado, mas o equilíbrio para a paz é cada vez mais precário”.

“Não há armas nucleares boas por terem a sigla de um país, ou más por terem a sigla de outro. Temos de rejeitar todas, sabendo que, se forem usadas a humanidade será destruída”, observou Ilda Figueiredo, concretizando que “o único caminho é a paz, que, no nosso caso específico, é defendida pela generosidade dos artistas”.

Alfredo Maia, jornalista do Jornal de Notícias, também se revelou preocupado com “a escalada de retórica belicista, principalmente protagonizada pelos Estados Unidos, principais exportadores de armamento no Mundo”. “É por isso que os artistas e os intelectuais têm de estar ao serviço da felicidade, o melhor caminho para a paz”, reforçou.

Também jornalista no JN, Vítor Pinto Basto questionou o “elevado preço das guerras e quem as paga”. “A guerra do Iraque custou aos Estados Unidos entre 2,2 e 3 triliões de dólares, uma fortuna descomunal, e os americanos fizeram-na pagar com a austeridade aplicada à escala global”, referiu, citando a conclusão de um estudo da Universidade de Brown e de um prémio Nobel da Economia.

Na vertente da arte pela paz, o jornalista referiu-se ao papel dos artistas no “vincar da força de quem sofre com as guerras, como o fez Picasso, quando mostrou na tela a chacina fascista de Guernica”.

Rui Ferro e Evelina Oliveira têm obras na exposição “Artistas Pela Paz” e ambos explicaram os respetivos sentimentos em relação ao tema. O escultor Rui Ferro, autor da obra “G0 Paz”, revelou ter recorrido à “ideia e importância do petróleo, um território para o conflito, mas também um caminho para a paz”. “Neste estranho binómio da guerra pela paz é difícil a um artista não estar em conflito consigo mesmo e com as próprias obras. As obras têm um equilíbrio perecível, como a própria paz”, considerou.

Já Evelina Oliveira disse ter “muito mais conhecimento de paz do que de guerra”. Na obra “PAZ-Condomínio fechado”, a pintora diz ter-se inspirado no “tema dos refugiados para retratar o arame farpado em torno de uma floresta”. “Os refugiados são das maiores vítimas das guerras e do terrorismo, que, para mim, é a pior guerra que há”, concluiu a artista plástica.

Recorde-se que este tema está também abordado no boletim “Notícias da Paz”, do CPPC, referente ao trimeste Setembro/Dezembro de 2017.

Ler artigo em: Início – CPPC – Conselho Português para a Paz e Cooperação http://bit.ly/2xj7p5J

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