Carta aberta

a todos os que sobre a Venezuela
 
Acham expressão de democracia a recusa sistemática da oposição venezuelana ao diálogo com o governo constitucional e optar por manifestações que, sempre, se traduzem em agressões à polícia e ao assassinato de dirigentes e apoiantes do governo e agentes de autoridade em cocktails molotov, pedradas, lançamento de granadas e lança-chamas, snipers com munições reais a atingirem na cabeça pessoas
 
Entendem como construtiva a destruição de estabelecimentos comerciais, papeleiras, contentores de lixo, viaturas, incluindo policiais e como forma de expressar razões que são do foro político
 
Acham que os presos ”políticos” devem ser libertados porque são antidemocráticas as decisões de tribunais baseadas na organização e participação em tal destruição
 
Referem a “ falta de liberdade de expressão”, quando a oposição dispõe de grande parte da grande imprensa e de um canal de TV com sinal emitido do estrangeiro e quando alguns dos seus dirigentes podem dar entrevistas mesmo quando presos, quando a Venezuela sofre um cerco de desinformação dantesca, incluindo com emissões para imigrantes oriundos dos seus países de origem, como acontece com a RTP e a Antena Um, contribuindo para a instabilidade que possa afectar essas comunidades e apelando ao seu regresso
 
Acham normal que, no quadro da complementaridade dos órgãos de poder, uma assembleia nacional eleita se recuse a cumprir com decisão do Supremo Tribunal de Justiça que manda repetir votação em círculos onde foram apurados deputados e onde comprovadamente a oposição viciou os resultados ou esteja permanentemente a constituir-se como ponto de rebelião contra o governo e o presidente eleito.

Acham condenável que seja demitida a Procuradora Geral da República que impediu o poder judicial de exercer as suas competências contra criminosos detidos pelas autoridades policiais e passou a ser instrumento da intervenção da oposição contra o governo.
 
Se batem contra a legitimidade (que tem consagração constitucional) de se eleger uma Assembleia Nacional Constituinte que permita, com nova consagração constitucional, prosseguir as transformações de natureza socialista
 
Entendem ser normal que as autoridades não devessem reagir a movimentos destinados a tomar o poder antidemocraticamente, incluindo assaltos a organismos do Estado, a paióis e golpes de mão de mercenários que se apresentam como militares descontentes
A todos esses eu digo que não estão do lado certo da História e poderão ser cúmplices de mais uma golpada contra os povos e as liberdades.
 
Que ficarão eventualmente indignados com uma guerra civil, uma invasão estrangeira ou uma nova pinochetada, depois de terem lavado as mãos como Pilatos e de não quererem passar a “linha vermelha” da defesa anti-imperialista, independentemente de gostarem mais ou menos do regime, para ficarem bem com a sua inconsciência.

Este artigo encontra-se em: antreus http://bit.ly/2uhnYLa

Anúncios