Incertezas e contradições

O governo do presidente Donald Trump informou que tem liberdade para continuar a financiar as contas públicas até Setembro, mas depois disso precisa que o Congresso autorize o aumento do limite da dívida para evitar entrar em incumprimento. O secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, insistiu no tema num depoimento na quarta-feira que prestou perante o comité do Senado responsável por gastos discricionários.
Argumentando que a ameaça de incumprimento já cria incerteza entre os investidores, Mnuchin insistiu que os parlamentares subam o tecto da dívida antes da paragem de trabalhos no Verão.
Estas declarações foram feitas horas antes de a presidente da Fed, Janet Yellen, e os restantes membros do banco central afirmarem a intenção de avançar num período “relativamente breve” com a redução do balanço patrimonial, “desde que a economia evolua amplamente como previsto”.
A afirmação foi interpretada como um sinal de que, na reunião da Fed dos dias 19 e 20 de Setembro, sairá o anúncio de que o processo começará provavelmente em Outubro.
Ainda sobre as questões do banco central, destaque também para os comentários de Trump sobre quem pretende nomear para a presidência da Fed quando terminar o mandato de Yellen, em Fevereiro.
Trump declarou ao Wall Street Journal na terça-feira que Yellen “é uma candidata de pleno direito” a um novo mandato, acrescentando nutrir respeito pela presidente da Fed e admirar a sua personalidade. “Eu gostaria que os juros permanecessem baixos. Ela, historicamente, é uma pessoa dos juros baixos”, disse Trump ao WSJ. O assessor sénior para os assuntos económicos da Casa Branca, Gary Cohn, também é um forte candidato ao posto, disse o presidente durante a entrevista.
Juros mantidos
A Fed manteve a taxa directora inalterada na quarta-feira, após três subidas dos juros nos últimos três trimestres. Nas projecções divulgadas em Junho, as autoridades sinalizaram mais um aumento em 2017 e três em 2018. Essas projecções serão actualizadas na reunião de Setembro.
Yellen disse este mês no Congresso que a Fed prossegue a via do aumento gradual dos juros, e essa intenção foi reafirmada no comunicado da decisão de política monetária de quarta-feira. Porém, a presidente da Reserva Federal advertiu que esse plano depende de se manter a confiança numa subida da inflação até à meta dos 2%.
Após superar brevemente este nível em Fevereiro, o indicador da inflação voltou a recuar e fixou-se em 1,4% nos 12 meses até Maio.
O comunicado de política monetária reconheceu a queda da inflação, mas afirmou que a instituição espera, no médio prazo, por uma estabilização em torno da meta dos 2%. 

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