A duplicidade de Passos

Passos Coelho, mostrou-se indignadíssimo com as afirmações proferidas por António Costa no debate do Estado da Nação, do passado dia 12 de Julho, dizendo que nunca antes se tinha visto um Primeiro-Ministro atirar-se assim publicamente contra uma empresa.
Nesse debate, António Costa em resposta às preocupações manifestadas pelo Secretário-Geral do PCP com a situação que se vive na PT, empresa com milhares de trabalhadores ameaçados de despedimento pelo seu actual dono, a Altice, criticou o comportamento da empresa no decorrer dos incêndios de Pedrógão Grande, referindo que foi o operador que mais tempo teve as ligações telefónicas interrompidas.
Solidarizou-se com os seus trabalhadores, que têm uma greve marcada para o próximo dia 21, e deixou clara a sua desconfiança em relação à empresa, afirmando que, por tudo isto, este não é o seu operador de telecomunicações e acabou mesmo por afirmar a sua preocupação em relação ao futuro da empresa.
Para o Primeiro-Ministro, as privatizações da PT e da CIMPOR, efectuadas com o governo anterior do PSD/CDS, foram desastrosas para o nosso país.
Ora estas as afirmações contra uma empresa, e que podem pôr em causa a sua reputação pública, que tanto indignaram Passos Coelho e o levaram a afirmar que nunca antes coisa semelhante algum Primeiro-Ministro tinha dito, por muito que lhe custe reconhecer, nada têm de inédito e ele próprio encarregou-se como tal de as desdizer.
Afinal, quando ele admoestou publicamente a Caixa Geral de Depósitos (CGD) no Verão de 2015, manifestando a sua preocupação pelo facto do banco público ser o único banco que, tendo recebido ajuda pública, ainda não tinha devolvido qualquer dinheiro ao Estado, não sentiu que estava a prejudicar a reputação da CGD?
Tanto mais que sabia que, não só o prazo para reembolso ainda não se tinha esgotado, como sabia que sendo o Estado o único accionista da CGD, aquilo que lhe tinha imposto não tinha qualquer sentido, já que é dever do Estado satisfazer as necessidades de recapitalização do banco público. Ou, como viemos a saber mais tarde, o que Passos Coelho pretendia era, verificada a impossibilidade da Caixa de proceder a esse reembolso, abrir numa primeira fase o capital da CGD a privados através da entrega destas obrigações contingentes à subscrição privada?
Afinal, a forma vergonhosa como ao longo do ano passado o PSD e o CDS procuraram impedir que a CGD tivesse uma administração que lhe permitisse desenvolver a sua actividade, não constituiu um claro e sistemático ataque a uma empresa?
Ou será que para Passos Coelho, as empresas públicas e o banco público, não fazem parte do seu universo das empresas, o qual se confina às privadas e em particular aos grandes grupos económicos?
Essa é sem dúvida a grande questão!
E por isso se compreende a sua grande preocupação com a Altice e a sua indiferença com a CGD!
 J. Alberto Lourenço sítio Abril. Abril

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