Irão no alvo da política de Trump

DECORRIA o mês de julho de 2015, e vindas de Viena — mais exatamente — chegavam notícias de que a República Islâmica do Irão e os Estados Unidos, liderando o chamado grupo G5+1 (EUA, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha) depois de 18 meses de negociação, chegaram ao histórico acordo que limita o programa nuclear da nação persa, enquanto Washington e os países europeus se comprometiam a pôr fim às sanções contra esse país.

Este acordo, hipoteticamente, punha fim a 35 anos de uma política de enfrentamento patrocinada pelos governos norte-americanos, após ter triunfado a Revolução Islâmica.

A esse respeito, o ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama, congratulou-se por ter impedido a expansão de armas nucleares na região do Oriente Médio, sem mencionar para nada Israel e seu desenvolvimento nuclear desafiando a ONU e a comunidade internacional, impedindo que seu programa seja controlado pela agência internacional, função pela qual é responsável.

A mídia propagou todo o tipo de espaços informativos, transmitindo a ideia de que assim se impedia o acesso iraniano à bomba atômica, sem reconhecer em nenhum momento que o programa nuclear iraniano sempre foi aplicado com objetivos pacíficos, ao serviço da saúde humana e o desenvolvimento energético para o progresso da nação persa.

Nesse momento o presidente iraniano, Hasán Rohani, asseverou que o conseguido era «uma prova de que o diálogo construtivo funciona. Depois de se solucionar esta desnecessária crise, surgem novos propósitos para concentrar-nos em desafios comuns», significou.

Por seu lado, o Organismo Internacional da Energia Atômica (OIEA) confirmou que o Irão cumpriu todas as exigências que tornaram possível descongelar as verbas equivalentes a 45 e 90 bilhões de euros, bem como exportar seu petróleo.

Atualmente, passados já dois anos da assinatura daquele histórico acordo acerca de um tema tão sensível, a recente administração dos Estados Unidos resolveu agir com a mesma leveza com que encara outros temas, como as mudanças climáticas, o problema migratório, a construção de um muro para cercar países e outros.

A administração de Trump se propõe banir o que foi combinado respeito ao programa nuclear iraniano e já realiza ações nesse sentido.

Em uma linguagem carente de solidez, o secretário do Estado norte-americano, Rex Tillerson, comentou, recentemente, que o «acordo com o Irão falhou». Semanas antes, este mesmo senhor tinha admitido, perante o Congresso de seu país, que «o Irão cumpriu plenamente o acordo nuclear assinado». Epa, que política tão doida!

Certamente, estas últimas acusações contra o Irão têm muito a ver com as posições do próprio presidente Trump, depois de reiterar a velha teoria que «o Irão é um Estado patrocinador do terrorismo».

O tema do Irão, não por acaso, torna-se centro da política exterior norte-americana. Lembremos que durante sua primeira visita à Arábia Saudita, Trump teimou em justificar a venda de armas a países da região, produzidas pelo complexo militar norte-americano, pela suposta ameaça iraniana às nações do Golfo.

Inventar um inimigo, que o Irão novamente, tem evidentes propósitos hegemônicos, econômicos e militares para Washington.

A República Islâmica é grande produtora de petróleo e gás e seu programa da energia nuclear tem como objetivo o fornecimento de energia elétrica sem lançar mão do petróleo.

Igualmente, a nação persa tem uma posição destacada na defesa da soberania e a independência da Síria, país que apoia em sua luta contra os grupos terroristas.

A causa palestina recebeu sempre a solidariedade e o apoio do Irão, razão pela qual Israel, o maior aliado de Washington na região, prontifica seus equipamentos nucleares contra essa nação.

Entretanto, os Estados Unidos são acreditados como os maiores fornecedores de armas de todo o tipo na região do Oriente Médio, onde se localiza um sustento para manter salva a economia norte-americana, sob o apoio de um complexo militar, verdadeiro artífice de poder, não importa que seja um republicano ou um democrata quem ocuparem a cadeira presidencial da Casa Branca.

Segundo uma análise do Instituto Internacional de Estudos para a Paz (Sipri), de Estocolmo, nos últimos quatro anos as importações de armas em nações do Oriente Médio aumentaram 86%, sendo o Pentágono o maior exportador.

Além do grande acordo com a Arábia Saudita para fornecer estas armas por US$ 110 bilhões, os Estados Unidos negociaram a venda de aviões de combate, por US$ 2,7 bilhões, a Bahrein, pequeno emirado do Golfo que tem em suas águas, além de muito petróleo, a Quinta Frota da Armada estadunidense.

Também Catar é um grande importador de equipamentos norte-americanos, tal como indica o relatório do Sipri, que refere um incremento de 245% nos últimos anos.

Há poucas semanas, o secretário da Defesa dos Estados Unidos, James Mattis, assinou um acordo por US$ 12 bilhões, para a venda de 36 aviões de combate F-15 a Catar, segundo a BBC Mundo.

Quer dizer que Washington, ao mesmo tempo em que incita o resto das monarquias do Golfo a pôr fim às relações com Catar, vende-lhes grandes volumes de armas com preços surpreendentes.

Neste sentido é preciso lembrar o expresso em relação a esse emirado pelo congressista democrata, Ted Lieu, durante uma audiência no Congresso: «Resulta confuso para os líderes mundiais e os membros do Congresso devido a que a Casa Branca faz duas coisas opostas».

Ou será que o que procura a administração Trump com a situação criada em relação a Catar e os restantes Estados do Golfo é, precisamente, dar pé a novas divisões e criar novos conflitos que permitam a aquisição de maior quantia de armas fabricadas por sua indústria militar.

Concordo com analistas da imprensa os quais perguntam se Trump tem alguma outra estratégia para o Oriente Médio, além de vender armas à região?

Ler artigo em: Cubadebate (Português) http://bit.ly/2uwLF4W

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