Governo saharaui saúda compromisso da União Africana de por em marcha mecanismos para resolver a ocupação marroquina do Sahara Ocidental

Fonte APS – Argel – 10-07-2017 – O ministro saharaui dos Negócios Estrangeiros, Mohamed Salem Ould Salek, saudou hoje em Argel a decisão da União Africana (UA) de reativar os mecanismos africanos para ajudar a resolver o conflito entre Marrocos e a República Saharaui, tendo em conta que as posições recentes da organização tomadas a semana passada durante a cimeira em Addis Abeba eram “sensatas e lógicas”, advogando os direitos legítimos do povo saharaui à livre determinação e à independência.

“A UA não aceitará a continuação do conflito entre os dois Estados a partir do momento em que Marrocos firmou e aprovou a sua carta, em cujos artigos 3 e 4 estipulam o respeito imperativo pelas fronteiras estabelecidas na independência e o diálogo pacífico entre os países membros”, afirmou Ould Salek durante uma conferência de imprensa esta segunda-feira na Embaixada da República Árabe Saharaui Democrática (RASD) na capital argelina.

O chefe da diplomacia saharaui afirmou que as posições adotadas pelos líderes africanos sobre a causa saharaui na 29 Cimeira da UA “frustrou o previsto plano do ocupante marroquino que “intentava eliminar todas as firmes posições da UA em relação à causa saharaui”.

O ministro saharaui sublinhou que a cimeira adotou pela primeira vez “duas decisões,” a primeira – disse  – a que “repete e reforça a posição da UA na sequência da adesão de Marrocos, o que vai contra a vontade deste último”; a segunda posição adotada na última Cimeira diz respeito à “implementação de mecanismos de ação para resolver o conflito”, acrescentando que “esta é a primeira vez que a UA toma essa decisão desde 1991”.

Em relação a estes mecanismos, a Cimeira da UA no seu artigo 4, refere que os presidentes da Comissão deverão contactar o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, para “encontrar uma operação complementar entre as duas organizações, particularmente após a assinatura a 16 de maio de ação coletiva e reforço de parceria entre as duas organizações, a fim de alcançar soluções para os problemas do continente Africano “.

Ould Salek também citou o parágrafo n.º 5, em que o Presidente da Comissão, pede ao presidente do Congresso, ao Conselho de Paz e Segurança e ao enviado da UA para o Sahara Ocidental a “trabalharem e incentivarem tanto os Estados-Membros a participar nas negociações e como a reativar a Comissão dos 10”.

Recorde-se que a Comissão de 10 foi criada na Cimeira de Cartum em 1978 e converteu-se, depois, na Comissão dos sábios no início da guerra entre Marrocos e a Frente Polisário. A comissão era composta por 10 países a nível de chefes de Estado, e tinha por missão resolver o conflito entre os dois Estados.

Ould Salek afirmou que Marrocos “decidiu expandir a sua ocupação das águas territoriais saharauis e anexar a área sob o controle da ONU” para desviar a atenção sobre as recentes decisões da Cimeira da União Africana.

O Governo saharaui e a Frente Polisario “condenaram energicamente a dureza do Marrocos e a sua política de fuga para a frente” e pedem à ONU e à União Africana (UA) a “assumir as suas responsabilidades a este respeito”.

O chefe da diplomacia saharaui denunciou também a repressão política e a tortura que continuam a praticar as autoridades de ocupação marroquinas contra os ativistas saharauis indefesos nas áreas ocupadas. Também se referiu à farsa dos julgamentos de Gdeim Izik e às sentenças injustas contra os estudantes que reivindicaram “o direito do povo saharaui à autodeterminação”.
A explosão de Marrocos
Durante a conferência, que contou com a participação de um grande número de representantes da imprensa nacional e internacional, o ministro dos Negócios Estrangeiros saharaui apontou para outro aspeto da política marroquina para desviar a atenção do povo marroquino da crise estrutural, económica e social que o país enfrenta.

Marrocos é o primeiro exportador de droga que inunda a região e também a Europa e outras partes do mundo, como disso dão conta os relatórios da ONU, do Banco Mundial da União Europeia. Um relatório recente do Departamento de Estado dos EUA revelou que Marrocos ganhou com o tráfico de droga cerca de 25% do seu PIB, acrescentou o ministro saharaui.

Em resposta a uma pergunta sobre a posição da França em relação à questão saharaui com a entrada em funções do novo presidente francês Emmanuel Macron, o chefe da diplomacia saharaui expressou esperança de que o novo presidente francês “mude a mentalidade da classe política francesa em relação ao Sahara Ocidental “.

Este artigo encontra-se em: Sahara Ocidental Informação http://bit.ly/2t6UQER

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