A visão dos outros

Tal como em 2016, após o final do mercado de música ibero-americano começámos a receber crónicas e artigos sobre Évora, publicados nas mais diversos jornais e revistas de sítios tão diferentes como o País Basco ou a Eslovénia.

Se se derem ao trabalho de os ler irão entender o verdadeiro fascínio que a nossa cidade exerce sobre quem passa aqui quatro dias a trabalhar.
São dezenas de testemunhos que têm o condão de nos mostrar Évora como ela é e não como alguns a querem caricaturar.
Todos os testemunhos referem uma cidade viva, segura, que os surpreendeu em todos os aspectos e onde querem que se repita este encontro de culturas do mundo ibero-americano no próximo ano.

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Vou dar voz a um jornalista basco, Roberto Moso, da rádio Euskadi, que escreveu, em forma de conto, uma crónica sobre a cidade e a sua vivência.
“Era uma vez um formoso lugar repleto de casas brancas com vermelhos telhados. Pelas suas estreitas ruas empedradas acedia-se a amplas e elegantes praças carregadas de história. Nelas podíamos encontrar tanto igrejas medievais como construções romanas.
Aquele lugar, situado no sul de Portugal, era o Alentejo e Évora a sua capital. Naquele espaço singular podia ver-se turistas, sim, mas não era um desses sítios inundados pelo turismo.(…)

(…) Pela tarde era o momento das calmas e tranquilas actuações na Praça do Giraldo. Ao anoitecer chegava o turno dos artistas convidados, shows incríveis em pátios e lugares que pareciam decorados para um filme da Belle Epoque. (…)

(…) Qualquer canto era bom para armar uma Jam sem necessidade de encontro marcado e sem hora para terminar… conversações musicais num clima participativo onde músicos e espontâneos criavam melodias incríveis.

O promotor coreano, o jornalista londrino, a directora de museu, mexicana, e o vereador de cultura do concelho fundiam-se com a música para logo segui-la com palmas para dançar ou para desafiar a noite com manifestações de prazer.
Ao amanhecer, quando o galo cantava, cada um voltava ao seu lugar. Entre olheiras e catarro matinal voltavam as apresentações, as masterclasses, as assinaturas de contratos.”

Foi isto que o jornalista basco e muita gente viu e sentiu na sua passagem por Évora e pelo Alentejo. Alguns não viram porque estavam à procura da frase de terrorismo económico com que iriam começar a pré-campanha eleitoral. Outros não viram porque olham para a cidade como se ela fosse a mesma que Vergílio Ferreira descreve na Aparição, demasiado mergulhados na sua própria bílis e zangados com tudo o que é diferente.

Aproximam-se momentos emocionantes para as próximas noites de Verão. Saiam de casa, desliguem o computador, tirem os óculos com lentes cinzentas e vivam.

Podem começar por ir à opera no próximo sábado. É grátis, é na rua, não exige indumentária especial e é sobre o amor, esse estranho fenómeno que nos faz respirar saúde.

Até para a semana.

Eduardo Luciano | Crónica DianaFM 06.JUN.2017

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