Sugestão Cultural: Ópera Soror Mariana Alcoforado

Ópera Soror Mariana Alcoforado Sábado 8/7 – 22:00 | Adro da Sé de Évora

SINOPSE:
Mariana Alcoforado é conhecida como a freira que escreveu – ou não* – uma série de cartas ao tenente francês Chamilly – que se tornaram famosas em toda a Europa ainda em sua vida e sem que ela o soubesse – depois de com ele ter vivido uma relação amorosa – ou não* – enquanto freira no Convento de Nossa Senhora da Conceição, em Beja.

Viviam-se os conturbados anos da restauração da independência de Portugal, em que a região do Alentejo foi particularmente protagonista, pois aí se disputaram importantes batalhas para além de todo o tipo de resoluções e conjuras… A causa portuguesa tinha apoio militar de diferentes reinos – também com problemas territoriais e sucessórios, e em lutas com Castela. Não é, pois, de estranhar que homens estrangeiros se encontrassem no Alentejo e que os conventos não fossem locais apenas de viver a fé, mas também locais onde famílias nobres e ricas colocavam as suas filhas.

Esta ópera é uma representação dramática cantada dos amores reais ou fictícios da freira portuguesa e do oficial francês.
Mariana Alcoforado é uma jovem mulher, freira, presa às circunstâncias do seu tempo, mas capaz de transgredir as
regras conventuais (obediência, clausura e castidade).

O amor surge como resposta a uma consciência de situação oprimida. A deceção e desespero que se seguem ao seu abandono e esquecimento, – traduzidas de maneira tão exasperada, comovente e excessiva nas Cartas Portuguesas – são acontecimentos pessoais muito penosos. Mariana não dispõe de recursos para modificar o decorrer da sua vida – isso sim – o mais dramático neste libreto. Mariana acaba por descobrir no convento outras formas de amar.
Mariana Alcoforado (1640-1723) terá entrado no Convento de Nossa Senhora da Conceição, em Beja, aos 11 anos, professado aos 16, e aí morreu aos 83 anos.

*Obra anónima, as Cartas Portuguesas, supostamente traduzidas no século XVII em Paris a partir de originais portugueses – desde sempre desconhecidos –, só muito mais tarde atribuídas por alguns à freira de Beja, tornaram-se uma obra de referência da literatura francesa, e um caso singular e dos mais curiosos na história literária pelas dúvidas que levanta a sua autoria. Esta obra traduzida será objeto de apropriação para a autoria portuguesa – bem como a figura simbólica de Mariana Alcoforado – revelando-se como um desígnio patriótico do chamado «século do nacionalismo português», particularmente visível no Estado Novo, necessário à afirmação e à identidade nacional, revestindo-se de um carácter ideológico que serve os interesses da nação.

Ficha Técnica e Artística

Compositor – Amílcar Vasques-Dias
Libretista – Helena Nóbrega
Diretor Musical e Coral – Brian MacKay
Equipa de Encenação / Movimento – Aldara Bizarro e F.P. Oliveira
Figurinista – Maria Luíz
Cenografia / coordenação – F. Pedro Oliveira

Cantores solistas:
Mariana Alcoforado – Natasa Sibalic
Pai de Mariana Alcoforado (cantador) – Pedro Calado
Orquestra residente – piano, cordas, oboé, clarinete / sax, percussão – incluindo Amílcar Vasques-Dias, músicos do Quarteto Lopes-Graça, Adriano Aguiar.
Iluminista, Equipa técnica – Paulo Mendes
Making- Off – Agrupamento de Escolas Francisco Simões
Frente de Sala – Agrupamento Escolas Ruy Luis Gomes;
Apoio Direção de cena – Escola Secundária Fernão Mendes Pinto;
Produção – Musicamera, produções http://musicamera.pt/

Ópera Soror Mariana Alcoforado

Anúncios