Festas privadas no Mosteiro dos Jerónimos investigadas

A realização de festas privadas no Mosteiro dos Jerónimos, em Belém, Lisboa, está a ser alvo de uma investigação do Ministério Público, após uma auditoria ter detectado alegadas irregularidades no âmbito da gestão da directora Isabel Almeida.

O caso é reportado pelo Diário de Notícias (DN) que avança que algumas empresas que organizaram eventos em espaços do Mosteiro dos Jerónimos pagaram mais à organização internacional World Monuments Fund (WMF), que recupera edifícios históricos, do que à própria Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC).

Isabel Almeida, que em Janeiro passado terminou a comissão de serviço como directora do Mosteiro dos Jerónimos, é vice-presidente da WMF.

O DN realça que entidades como a Compagnie Financière Richemont, a Team Quatro e o Automóvel Clube de Portugal, que organizaram eventos no Mosteiro dos Jerónimos, fizeram donativos à WMF de valores superiores ao que pagaram pelo aluguer do espaço.

A auditoria realizada à gestão de Isabel Almeida ainda apurou que a empresa Troca Descobertas, que se identifica como “associação sem fins lucrativos”, utilizou espaços do Mosteiro dos Jerónimos para realizar actividades e festas privadas pagas, sem compensar a DGPC em qualquer valor.

Estão em causa actividades pedagógicas destinadas a crianças do ensino pré-escolar e do 1.º ano do ensino básico, que eram pagas pelos pais e que terão sido promovidas em sites ligados ao Governo, embora a empresa não tivesse qualquer protocolo com o Estado.

Além disso, a associação também organizava visitas guiadas e festas de aniversário, aos fins-de-semana, e algumas das pessoas da Troca Descobertas tinham inclusive, um email oficial do Mosteiro dos Jerónimos.

Em nota ao DN, o ministro da Cultura, Luís Castro Mendes, assume que, “numa auditoria interna da DGPC a vários museus e monumentos, foram detectadas irregularidades que motivaram o envio do respectivo relatório final ao Ministério Público”.

“Este assunto é agora da competência do Ministério Público, não sendo, portanto, oportuno o gabinete do ministro da Cultura pronunciar-se”, acrescenta Castro Mendes.

Isabel Almeida não respondeu, até agora, a perguntas enviadas pelo DN.

Foi também durante a gestão de Isabel Almeida que o Tribunal de Contas detectou irregularidades na venda de bilhetes no Mosteiro dos Jerónimos e na Torre de Belém, suspeitando-se do desvio de mais de 150 mil euros que terão ido para os bolsos de alguns funcionários.

O DN repara que uma das trabalhadoras suspeita do desvio de 3 mil euros das bilheteiras foi “reintegrada, porque o inquérito interno da DGPC não cumpriu um requisito”, designadamente, a “falta de audiência da arguida“.

Assim, o despedimento da funcionária “foi considerado nulo”.

ZAP //

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