Compromisso Portugal uma delícia

Compromisso Portugal afinal era compromisso com o capital.
Na época a Comunicação social dominante deu-lhe todo o relevo e credibilidade.
Realizou-se no Convento do Beato . Na mesa da presidência o aparato tecnológico mostrava o status .
O PCP desmascarou o movimento e as suas propostas ( ver intervenções dos dirigentes da altura e artigo de Vitor Dias ) e foi criticado pelos comentadores do costume . No PS as propostas foram bem recebidas !!

      “100 oportunistas , 100 narcisistas e...”
 “O movimento Compromisso Portugal considerou hoje que as suas propostas a favor da reforma do Estado e da flexibilização dos mercados encontraram receptividade na direcção do PS.” Público 14 de de Dezembro de 2014

Quando eles começam a falar é uma delícia :

“A 10 de fevereiro de 2004 iniciavam-se os trabalhos do Compromisso Portugal que, segundo os organizadores, tinha por missão «lançar uma nova geração de gestores, empenhados em debater um modelo económico que permita ao país alcançar níveis superiores de riqueza e sair da cauda da Europa nos próximos dez anos».” Começa assim um artigo de opinião de Filipe Pinhal no Sol de 27 de Maio .
Depois acrescenta :”Naquela terça-feira de um fevereiro frio, 100 cândidos, 100 oportunistas, 100 narcisistas e, talvez, 10 pessoas decentes sentaram-se nos claustros do Convento do Beato decididos a empreender a grande cruzada da era moderna: salvar a Pátria! 
Para o caso, não importa se seriam 310 – os jornais referiam «mais de 300 pessoas» – mas um número preciso facilita o cálculo dos 3% de pessoas que estatisticamente nunca trocarão de credo, nem de caráter, nem de alianças, ainda que mudem as circunstâncias, como mudaram as que levaram Pedro a negar Cristo. 
E até dá jeito para o exercício simples que cada um poderá fazer a seu gosto: escreve os 31 nomes mais sonantes do conclave – e não hesitará na identificação de 10 cândidos, 10 oportunistas, 10 narcisistas e, talvez, uma pessoa decente.
Contrariando as promessas, em 2014 Portugal não tinha saído da cauda da Europa. Infelizmente estava ainda mais atrasado e a braços com o desmoronamento do BES e da PT, duas tragédias com a impressão digital da gente do Beato, que tinha jurado que o seu grande desígnio era «a defesa dos interesses de Portugal e das empresas portuguesas». 
Azar dos azares, logo a seguir ao termo dos trabalhos, um dos mais ativos organizadores vendeu a Somague a capitais espanhóis. A transferência dos centros de decisão para o estrangeiro apenas começara. E iria acelerar por obra e graça dos ‘comprometidos’
A verdade estava à vista: a ‘geração de ouro’ que proclamava ‘somos os melhores, dêem-nos os lugares no Governo e nas empresas e nós salvaremos a Pátria’, afinal estava ali para tratar da vidinha. Portugal teria de esperar outros salvadores.
O começo até fora auspicioso. Oportunas encomendas a uma empresa de caça-talentos – milagrosamente caídas da Galp, do BCP, do BES e de boa parte das empresas públicas –permitiram construir um networking de ‘amigados’ ávidos de lugares-chave no Governo, nos negócios e nas televisões. E tinham pressa. Tanta que, com a sua imparável dinâmica, ajudaram a colocar no pipe-line das privatizações as empresas públicas mais valiosas, que acabaram vendidas a estrangeiros. Caía a máscara aos ‘patriotas’! 
Com a credibilidade de rastos, certos de que não haveria espaço para um regresso ao palco, os actores principais remeteram-se ao silêncio. “…
Estes senhores estão todos bem e são os que dizem que não se pode distribuir o que não se tem o que será verdade , mas pode-se distribuir melhor o que está brutalmente acumulado e por formas muito opacas .
 Uns patriotas com a pátria na carteira !


Este artigo encontra-se em: FOICEBOOK http://bit.ly/2rF2iea

Anúncios