Para este domingo,

Neste domingo, depois de um dia em que Portugal pareceu em “estado de graça”, os portugueses todos (os que peregrinaram, os benfiquistas, os que se apegaram à televisão e vibraram com uma “vitória”) têm de descer à Terra. 
Para os domingos, costumo escolher um trecho musical. Para este, seria talvez adequado trazer a canção que ganhou a tal da Eurovisão. Na madrugada, ainda pensei nessa escolha. Tinha “ouvisto” de passagem duas ou três concorrentes, e delas fugi como quem foge das ondas de pó e luzes, dos efeitos que se pretendem espectaculares, de alguns pseudo-erotismos. 
Fui “ouver” a portuguesa já vitoriosa e não me desagradou, por contraste, a sobriedade e procura de contar qualquer coisa. Mas, aí, algo mais alto se sobrepôs. Uma canção sobre o desespero de um amor a dois moribundo, no entanto vivo, desesperadamente vivo para um, para o que quer acreditar na sobrevivência, incapaz de aceitar o fim do que sem reciprocidade – seja ela qual for – não continua vivo, acabou!
Mas essa situação traz-me a Brel, à sua criação-interpretação de Ne me quitte pas, e não me permite que outra coisa oiça ou faça ouvir. Talvez (decerto?) problema meu… mas o blog é meu, é pedaço de mim (esta do “pedaço de mim” do Chico veio perturbar-me as “sentenças”… talvez para o próximo domingo!) 

Este artigo encontra-se em: anónimo séc. xxi http://bit.ly/2qfHgRt

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