Esse coração que odiava a guerra… – Robert Desnos

Homenagem às vítimas do nazismo


Robert Desnos ao ser libertado pelos soldados soviéticos, morre oito dias depois
Esse coração que odiava a guerra…

Esse coração que odiava a guerra e ainda assim bate pelo combate e a batalha!
Esse coração que só batia no ritmo das marés, das estações, naquele ritmo das horas do dia e da noite,
Então ele se dilata e envia às veias um sangue fervendo de salitre e de raiva
E que conduz tal ruído no cérebro, que os ouvidos zunem
E não é possível que esse ruído não se alastre na cidade e no campo
Como o som de um sino chamando ao motim e ao combate.
Escutem, ecos o trazem de volta, e eu ouço novamente o ruído.
Mas não, é o ruído de outros corações, de milhões de outros corações batendo como o meu através da França.
Eles todos batem no mesmo ritmo em vista do mesmo chamado,
Seu ruído é aquele do mar no assalto às falésias
E todo este sangue leva nos milhões de cérebros uma mesma palavra de ordem:
Revolta contra Hitler e morte aos seus partidários!
No entanto, esse coração odiava a guerra e batia no ritmo das estações,
Mas uma única palavra: Liberdade foi suficiente para despertar as antigas cóleras
E milhões de franceses se preparam na sombra para a obrigação que o amanhecer próximo os imporá
Pois esses corações que odiavam a guerra batiam pela liberdade
bem no ritmo das estações e das marés, do dia e da noite.


« Ce cœur qui haïssait la guerre… »

Ce cœur qui haïssait la guerre voilà qu’il bat pour le combat et la bataille !
Ce cœur qui ne battait qu’au rythme des marées, à celui des saisons, à celui des heures du jour et de la nuit,
Voilà qu’il se gonfle et qu’il envoie dans les veines un sang brûlant de salpêtre et de haine.
Et qu’il mène un tel bruit dans la cervelle que les oreilles en sifflent,
Et qu’il n’est pas possible que ce bruit ne se répande pas dans la ville et la campagne,
Comme le son d’une cloche appelant à l’émeute et au combat.
Écoutez, je l’entends qui me revient renvoyé par les échos.
Mais non, c’est le bruit d’autres cœurs, de millions d’autres cœurs battant comme le mien à travers la France.
Ils battent au même rythme pour la même besogne tous ces cœurs,
Leur bruit est celui de la mer à l’assaut des falaises
Et tout ce sang porte dans des millions de cervelles un même mot d’ordre :
Révolte contre Hitler et mort à ses partisans !
Pourtant ce cœur haïssait la guerre et battait au rythme des saisons,
Mais un seul mot : Liberté a suffi à réveiller les vieilles colères
Et des millions de Français se préparent dans l’ombre à la besogne que l’aube proche leur imposera.
Car ces cœurs qui haïssaient la guerre battaient pour la liberté au rythme même des saisons et des marées,
du jour et de la nuit.

Robert Desnos, 1943 (paru dans L’Honneur des poètes)

Repris dans Robert Desnos, Destinée arbitraire, Paris, Gallimard, 1975
© Éditions Gallimard
Com o pseudônimo Pierre Andier, este poema de Robert Desnos foi publicado em 14 de julho de 1943 na revista L’Honneur des poètes.

Este artigo encontra-se em: as palavras são armas http://bit.ly/2psjpul

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